30 janeiro 2011

Começar por baixo

  • Quando decidimos criar este blog, tínhamos e temos a intenção de provocar em você, meu amigo, um efeito como aquela velha brincadeira de criança onde uma toca a outra e diz “pego” fazendo com que esta outra fique “congelada”. Aqui, porém, o efeito precisa ser inverso, é preciso DESCONGELAR de um comodismo que nos aflige a todos. No entanto entendemos que, como tudo na vida, é preciso começar de baixo. Arrumar nossa cama, depois a casa, a calçada em frente e assim em diante até os últimos escalões da sociedade. Foi por este motivo que escolhemos como nosso primeiro tema um assunto urgente que está em nossas portas em praticamente todas as cidades: O lixo nas ruas, terrenos abandonados, calçadas, praças e onde mais se olha.
  • Erro dos governantes? Certamente! Como exemplo cito a cidade de Praia Grande, litoral de São Paulo (poderia ser qualquer outra) que há anos extinguiu o serviço de coleta seletiva, alegando que a população vinha fazendo mau uso deste serviço. Como assim? Então o cidadão não sabe usar um serviço público e a solução encontrada é extingui-lo? A maioria das pessoas procura os Pronto-Socorros para serviços que não são de urgência ou emergência e nem por isso estes Postos são, nem poderiam ser, fechados. Mas, voltando ao nosso tema, como conseqüência da decisão questionável da prefeitura daquela cidade, as pessoas passaram a jogar todo tipo de lixo nas calçadas e terrenos vazios da cidade. Não há uma praça, esquina, calçada, terreno sem muro, e até com muro, que não tenha pilhas de lixo e entulho, moradas perfeitas para ratos, baratas e o temido mosquito da dengue, do qual eu, entre tantos, já fui também uma vitima e muito provavelmente também você.
  • Erro da população? Sem dúvida nenhuma! Total falta de educação, respeito com o próximo, higiene e até de inteligência, pois, em lugar inadequado, o lixo afeta tanto culpados quanto inocentes. Afinal mosquitos, ratos, baratas e água de enchente não escolhem quem serão suas vítimas. Quando as pessoas vão entender isso? São carrascos de suas próprias sentenças. Vítimas de sua própria ignorância e vítimas também da ausência do poder público.
  • A questão do lixo nas cidades é muito mais ampla do que podemos expor aqui. Passa, por exemplo, por regulamentação das embalagens de todos os produtos industrializados, passa também por regulamentar os locais de descarte apropriados. Pelo aumento dos índices de reciclagem ainda muito baixos no país.  Mas a questão aqui é um pouco mais rasa que estas. É o simples descarte de móveis, entulho e toda espécie de lixo em áreas públicas e em terrenos de outras pessoas. Sem falar do lixo e entulho que algumas pessoas acumulam em seus próprios terrenos como verdadeiros “colecionadores de inutilidades”
  • Entendo que expor um problema e não apresentar sugestões para ele é no mínimo leviano, por isso, exponho as minhas:
  • Acionar proprietários de terrenos sem muro a murá-los em determinado prazo e, caso não o façam, que seja feito pela prefeitura com cobrança de todas as despesas inerentes somadas ao IPTU. Terrenos murados são menos suscetíveis a vandalismo, invasão e descarte de lixo. Sem contar que estes terrenos sem muros são facilmente usados por traficantes, maníacos e desocupados.
  • Cobrar dos proprietários de imóveis sem destinação prática que dêem uma destinação a estes imóveis ou desfaçam-se deles. Isso além diminuir as áreas “disponíveis” para descarte irregular de entulho, iria aumentar a oferta de áreas para construção de casas, diminuindo o déficit na área de moradia. Esta iniciativa pode parecer arbitrária mas é totalmente prevista em lei fazendo uso de desapropriação indenizada pelo valor venal do imóvel com posterior leilão publico destes imóveis para pessoas interessadas em construir e dar destinação social aos mesmos..
  • Em tempo: Destinação Social é a utilização prática de um imóvel para fins residenciais ou comerciais. Um imóvel vazio a procura de locatário ( inquilino ) tem uma clara destinação social. Já um imóvel vazio abandonado não tem.
  • Restabelecer o serviço de coleta de entulho em dias e horas pré-determinados e com possível agendamento por parte do cidadão. Não dando motivos para que os menos conscientes descartem móveis, restos de obra, e tudo mais que se vê por ai nas calçadas.
  • Manter serviço de varredura e coleta de lixo constantemente, além de limpar as ruas, gera empregos e diminui a incidência de doenças principalmente em crianças, desafogando postos de saúde.
  • Serviço de fiscalização competente para multar infratores pegos em flagrante além de um serviço de disque-denuncia capaz de receber reclamações e acionar os órgãos competentes. Serviço este que dê retorno ao cidadão em tempo hábil das providências tomadas.
  • Mas, principalmente, educar, educar e educar a população, começando com as crianças nas escolas, mas também de porta em porta trabalhando a mentalidade das pessoas para mudar suas atitudes em prol do bem comum.
  • Enfim solução há, falta ainda a desencontrada “vontade política” de nossos governantes e a consciência dos governados, ou seja, nós.
  • Veja como uma “simples” questão de lixo nas ruas envolve tantos aspectos diferentes. Doenças, enchentes, segurança pública, ação social, política de geração de empregos e por ai afora?
  • Nenhuma questão que envolva a vida em sociedade pode ser vista de forma isolada. Tudo sempre afeta a todos.
  • E você tem feito sua parte? Espero que sim.
  • Eu, de minha parte, tenho de ir. Preciso por o lixo pra fora antes que o caminhão passe! Um abraço!

Quem é o maior responsável pelo lixo jogado nas ruas?

O que você pensa dos políticos brasileiros?